sábado, 20 de novembro de 2010

Dia da Consciência Negra

Hoje, dia da Consiciência Negra, vou fazer um posto diferente. Uma coisa pra levar a discussão e a reflexão para outra direções.

O verão 2010 teve duas grandes tendências em termos de cores: o flúor e o nude. O nude devolveu o glamour ao famoso, e conhecido por todos, batom cor de boca. Mas esse post não é sobre tendências do verão 2010, até mesmo porque o verão já passou, para a alegria de uns e tristeza de outros (eu me incluo no último grupo rs, adoro o verão).
A nomenclatura "cor de boca" não me agrada nem um pouco, porque as nuances que levam esse nome são, normalmente, rosas claros queimados, que deixam um efeito "matte" (sem brilho) e, obviamente, essa não é a cor da boca de todo mundo!

Quem me conhece ( e lê o blog) sabe que eu sou uma fã de cosméticos. Sou capaz de passar mais d uma hora em uma perfumaria testando cores e produtos novos, e horas a fio em sites de cosméticos só vendo quais são as novidades desse mundo.
Em janeiro,eu estava em uma perfumaria em São Paulo para comprar um batom de todo dia, daqueles "acordei e passei", eu pedi, a vendedora trouxe e conversando com ela eu disse q adorava aquele batom e ela me disse que era uma das cores que menos vendia, eu disse que o usava todos os dias,e ela respondeu "ah, pra voce fica um cor de boca né?". Sim! Fica um cor de boca! huahuauhaa Falei tudo isso para ilustrar como esse raio desse batom rosinha-matte-queimado foi mal nomeado! O meu cor de boca é vinho amarronzado! Cada um é cada um!

Todo esse papo de maquiagem foi pra exemplificar como a sociedade tem padrões. A cor de boca é aquela, o cabelo normal é aquele e etc. Tudo isso é extremamente irritante.


Outro caso ilustrativo:

Uma vez, há um bom tempo, minha prima estava numa dessas barraquinhas de rua disposta a comprar um prendedor de cabelo, ela perguntou para o vendedor se aquilo de fato prendia o cabelo direito, o vendedor, em sua enorme delicadeza, respondeu: "Se o cabelo for bom prende sim!" Minha prima jogou o prendedor no "mostruário" (hehe) e saiu amaldiçoando várias gerações da família do cara! E ela fez muito bem!

Cabelo bom? o.o O que é um cabelo bom? Se tem um bom, qual é o ruim? Bizarro né? Escolher um modelo e tudo o que for diferente é "ruim"! Isso é juizo de valor!

Nessa vida já aprendi o que corre por debaixo dessa expressão. E não é nada bonito. E não deve ser dito.

Voce nunca vai ouvir ninguém dizendo que um cabelo liso é ruim. O máximo vai ser que o cabelo está maltratado. Mas se for um cabelo não-liso, é mais provável que alguém diga que ele é ruim. Já perceberam onde eu quero chegar né?

Essa expressão demonstra um racismo imenso.

Muitos tentarão argumentar que não é racismo e blá blá blá, mas é sim, é porque muitos nunca pararam pra pensar quais os tipos de cabelo que são associados com essa expressão, a grande maioria dos casos é o cabelo crespo. Negros tem cabelo crespo, logo... Se tiver alguém aqui lendo e querendo negar, reconheça, não dá!
O ideal é que se abandone integralmente o uso dessa expressão.

Da próxima vez que ouvir alguém dizendo "cabelo ruim", corrija-o, pelo bem de todos. (Racismo vai ficar para outro post, porque esse vai render).

Cada um é cada um e não há nada de melhor ou pior nisso.

E muito chato ir comprar produtos de cabelo a única embalagem onde há uma mulher negra vem com os escritos "controle seus fios rebeldes!", "MAS MEUS FIOS NÃO SÃO REBELDES!", quer dizer que só porque o seu cabelo é crespo ele é rebelde? Ou seja, foge do seu controle? Ainda há os que dizem "Para cabelos mais domados", cabelo é selvagem agora? ¬¬. Ainda bem que este cenário está mudando, lentamente, mas já sinto algum progresso, o difícil mesmo é mudar a cabeça das pessoas.

Portanto lembre-se, quando você quiser um batom para o seu dia a dia, não peça um "cor de boca", peça um "cor da minha boca"! rs.

Agora temos vários blogs e sites com fotos e dicas pras mulheres negras aprenderem a se valorizar cada vez mais! Aí na minha lista de blog ( aí do lado) tem vááários!



Pegue o seu dia da Consciência Negra e reflita sobre essas e outras questões que ás vezes parecem fúteis, mas no fundo são muito graves.

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